Porque a mamãe não vai comprar uma chupeta e uma mamadeira pra sua filhinha… ou Empoderamento para as meninas

Publicado em 07/08/2017 por Carol Rodrigues

Bárbara está com seis anos, no auge de sua meninice, não quer mais ser vista como bebê e começa a demonstrar os primeiros ímpetos de “mocinha”, querendo imitar as mulheres mais velhas…e a primeira referência, ou a mais próxima, está dentro de casa – sou eu!!!

Amamentando Bárbara no Teatro Nacional de Brasília, em 2011

Na semana passada, veio me pedir com todo jeitinho e retórica uma chupeta e uma mamadeira para sua filhinha, a “Lacinho Roxo”, sua boneca bebê. Não é a primeira investida, ela já havia pedido antes, principalmente depois de ter visto outra menina com aquelas bonecas newborn no colo.

Expliquei que a “Lacinho Roxo” não precisava de mamadeira para mamar, que ela iria preferir mamar no peito dela, pois não existia nada mais nutritivo do que o leite da própria mãe. Na mesma hora ela levantou a blusa, sentou no sofá e deu o peito. E ainda pediu silencio para a irmã, Isabela, que com quatro anos oscila entre o falar gritando e gritar falando. Simples assim. E ficou muito tempo com a “filha” no colo enquanto eu admirava a cena poética. Após a mamada, colocou a filha enrolada no charutinho dormindo no canto e foi pular corda com a irmã.

Bárbara amamentando na SMAM 2014, em Taubaté, Roda Do Ventre ao Peito

Daqui a pouco volta a me procurar, pedindo uma chupeta, porque a “filha” estava acordada, já havia mamado, mas não parava de chorar – e ela, a “mãe Bárbara” precisava preparar o almoço!
Outra vez expliquei que o peito era a melhor saída, que a chupeta não iria substituir o alimento, o carinho, o calor e o amor da mãe. Isso tudo ela entendeu, mas achou ruim ter que interromper o “preparo do almoço”, e voltou para a sua “filha”, dando o peito outra vez, até que a recém nascida dormisse novamente. Quando isso aconteceu, soltou um “UFAAAAAA, como cansa ser mãe”e voltou para outra brincadeira com a irmã.

 

Amamentando Isabela na roda de gestantes em 2014.

No final do dia, melada de tanta corda e toda prosa, veio me contar que naquele dia não iria poder tomar banho, porque precisava cuidar da “filha”e dar de mamar, caso ela acordasse. Achei graça, mas sugeri que se ela tomasse uma ducha bem rápida, sem lavar os cabelos, sem cantar no chuveiro, e sem desenhar nos azulejos ou na porta do box, talvez a “Lacinho Roxo” nem acordasse… Foi contrariada para o banho, mas aliviada que a irmã Isabela estaria de plantão ao lado de sua “sobrinha”.

Adormeceu com a “filha”ao seu lado, reproduzindo a cama compartilhada e me perguntou quantas vezes ela iria precisar acordar para amamentar durante a madrugada. Juro, pensei em omitir, mas depois de um dia tão importante como aquele, onde brincando ela teve contato com tantas verdades essenciais, fui muito sincera: quantas vezes ela precisar, meu amor. E agradeci por ela não ter me questionado em números por outra resposta, rsrsrss.

Na cama relembrando o dia, refleti todo o dia e a experiência que tivemos, reconhecendo que o exemplo é o melhor modelo para a construção desse tão sonhado empoderamento feminino.

Bárbara amamentando a “Lacinho Roxo” na SMAM 2015, em São José dos Campos.

 

Lembrei de diversos momentos em que amamentei as duas filhas, nas mais esdrúxulas situações e locais: no trabalho, no lazer, na rua ou em casa. Das inúmeras vezes em que levei as duas: para a roda de apoio a gestantes, chá de bênçãos, mamaços, palestras, eventos e cursos de preparação para o parto e pós parto – sem me dar conta que estava semeando uma poderosa semente de empoderamento nas minhas meninas. É por isso que para elas é natural eu explicar que a mamadeira não é a primeira alternativa ou que a chupeta pode prejudicar o desenvolvimento do bebê. E é por isso, Bárbara, que a mamãe não vai comprar nenhum dos dois pra sua filhinha.

 

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