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E tudo bem não saber…

Publicado em 14/03/2018 por Carol Rodrigues

Um dos ritos mais avassaladores na vida da mulher é sem dúvida a maternidade.

A gestação chega provocando mudanças físicas e emocionais proporcionais ao crescimento do ser que nos habita, e todas as implicações pessoais que possam vir com esse novo habitante.

Serei capaz de ser mãe? Que mãe desejo ser? Que mãe não quero ser? Estou pronta para deixar partir a mulher independente para me tornar aquela de quem o bebê depende? Serei capaz de cuidar? E quem cuidará de mim? O que será de mim? Eu que me conheço tanto, que construi pedaço por pedaço da minha história, que lutei com tantos e tudo para me tornar quem sou agora, como poderei me lançar no desconhecido mundo da maternidade? Como vou ser capaz de ser quem sou e ao mesmo tempo essa mãe que desejo ser? Desejo ser? E se eu não der conta? E se eu quiser desistir? E se eu não souber o que fazer? Como fazer?

 

O primeiro trimestre da gestação costuma ser cheio de altos e baixos, sentimentos ambíguos, navegamos da extrema alegria pela certeza de que somos abençoadas, até o extremo terror de dúvidas e questionamentos sobre o futuro incerto. E tudo bem…é só o começo da aventura. Não tem problema algum não saber.

 

Porque depois dessa etapa, começam os fantasmas do parto, e no segundo trimestre a gente se depara com a situação nada animadora do nosso país, onde as mulheres precisam sim de muita luta para poder garantir os seus diretos de um parto respeitoso e digno, onde suas vontades sejam validadas e suas escolhas acolhidas pela família, pelos amigos, pelas equipes, pelas instituições, pelo poder público, enfim, toda a sociedade. Porque a mulher que deseja parir enfrenta não só seus medos e inseguranças de se lançar no abismo, mas também as pessoas que mais ama e aquelas que mais deveriam apoiá-la e não julgar – como se isso fosse uma anormalidade, como se seus corpos não fossem fisiologicamente preparados para o parto.

Ahhhhh….o parto….noites e noites de dúvidas…Como será? Como começa? Quanto tempo dura? Dói quanto? Eu aguento? E se não aguentar? É melhor para mim? Pro meu bebê? E se não for? Porque sentir dor? E se eu não conseguir? O que vão dizer de mim? Como vou me sentir? Eu quero sentir? E se não quiser, serei julgada? Eu posso escolher? Eu tenho que escolher? Onde parir? Aqui não pode? Assim não deixam? Mas e se eu quiser, eles não me respeitam? Mas como vou arrumar esse dinheiro? Eu tenho plano mas não encontro uma equipe, pra que serve então? Porque preciso pensar em tudo? Porque não é um processo respeitoso em qualquer lugar? Porque preciso pensar em tudo isso? E se eu não puder garantir uma assistência particular, o que vou fazer? Quais são os  caminhos? Como posso saber o que escolher, se nunca passei por isso antes? E se eu não souber??? Tudo bem, também…é só o portal da aventura. Não tem problema algum não saber.

Mas uma coisa te garanto, as dúvidas que você escuta dentro de você, abrem espaço e te dão força para buscar as respostas e os caminhos que você está pronta para trilhar. Escute seu coração, não cale suas dúvidas, fale sobre seus medos, pergunte, converse, se informe, construa dentro de você esse percurso de crescimento, de ruptura. Porque gestar é romper com uma mulher que um dia você foi, parir é romper com um corpo que um dia você carregou e largar todas as certezas para trás…é mergulhar num mundo interior onde uma mãe há de surgir, onde uma nova MULHER MÃE anseia ardentemente por nascer. E ela vem com medo, com incertezas, com duvidas, mas vem também com uma força sem tamanho, um sentido de sobrevivência sem igual, a mãe que vai buscar seu bebê, que dá à luz ao recém nascido e a toda sua potência. Ela é seu próprio farol. Ela sabe. Talvez ela demore um pouco para reconhecer que não existe ninguém melhor e mais preparado para cuidar desse bebê, do que ela mesma. Talvez ela precise de apoio e de muita gente querida validando e amparando os primeiros passos. E tudo bem. Tudo bem ela pedir ajuda. Não tem problema algum não saber tudo.

Até que um dia ela percebe o tamanho das suas asas…Um dia ela percebe que quando ela se abre inteira para o puerpério, para acolher seu bebê, suas sombras e todo seu mistério, ela vira fênix, e não tem fogo nem fogueira que segure essa mulher, porque agora ela é uma MÃE. E aos poucos ela entende que as mães são humanas, que as mães choram, que as mães erram, que as mães se cansam, que as mães não sabem tudo…e TUDO BEM. TUDO BEM NÃO SABER…porque ela não precisa mais saber…ela só precisa SER, ela mesma, a mãe.

Curso Formação de Doulas Mátria, em parceria com AmorContinuum

Publicado em 22/01/2018 por Carol Rodrigues

SOMOS FORTES.
E PRECISAMOS RECONHECER ESSA FORÇA EM NÓS. JUNTAS SOMOS MAIS.
#vemserdoula #doulasmatria #matriemos

“No dia que for possível à mulher amar em sua força e não em sua fraqueza, não para fugir de si mesma, mas para se encontrar, não para se renunciar, mas para se afirmar, nesse dia o amor tornar-se-á para ela, como para o homem, fonte de vida e não perigo mortal”. Simone de Beauvoir

Em abril, na Clínica Mátria acontecerá a primeira formação de doulas, em parceria com AmorContinuum. Vem com a gente construir um caminho de sororidade e cura para todas as mulheres. Vem descobrir a potência de estar em seu lugar!

Público Alvo: Mulheres interessadas na busca pelo autoconhecimento e consequente mergulho no sagrado feminino, ansiosas por apoiar outras mulheres ao longo da gestação, parto e pós-parto imediato com ferramentas naturais, técnicas integrativas e informações baseadas em evidências científicas.

Turma Abril/2018

Curso teórico expositivo e vivencial com carga horária de 48 horas.
Material apostilado para acompanhamento dos temas estudados, discussão de vídeos e referências para aprofundamento.

Datas: sábados e domingos
14 e 15/04
21 e 22/04
28 e 29/04

Horário: das 9:00h às 18:00h, inclusive no último dia – 29/04, com intervalo de 01 hora para o almoço.
(Coffee break incluso)

Local: Clínica Mátria
Rua João Gama, 80 – Vila Bourguese -Pindamonhangaba – SP
Tel: (12) 3648-4565
E-mail: contato@clinicamatria.com.br

Idade mínima: 18 anos
Instrução mínima: segundo grau completo.
Limite de vagas: 20


CONTEÚDO PROGRAMÁTICO

– O Feminino e o autocuidado – Ritos, empoderamento, trajetória pessoal e cura.
– Assistência ao nascimento no Brasil e no Mundo.
– A Doula no cenário da gestação e do parto – contextualização histórica, benefícios, recomendações da OMS e evidências científicas.
– Aspectos teóricos da anatomia, biomecânica e fisiologia da gestação; hormônios, trabalho de parto, parto, puerpério e amamentação.
– Preparação para o parto: individualidade e gestação consciente, psicofisiologia perinatal, plano de parto, abordagem física, emocional e espiritual, mitos e medos do parto normal e perda gestacional.
– Trabalho de parto e parto: “bolsa” da doula, o campo do parto, métodos não farmacológicos para alívio da dor – hidroterapia, aromaterapia, acupuntura, posturas favoráveis, massagens, técnicas de visualização, rebirthing, relaxamento e mindfulness. Técnicas de utilização do rebozo e conhecimento das possíveis intervenções no parto respaldadas pela Medicina Baseada em Evidências.
– Pós-parto imediato: aspectos físicos e emocionais, elaboração da experiência do parto ou luto perinatal, estabelecimento do vínculo mãe-bebê e início da amamentação.
– Aspectos éticos e práticos da profissão: ética, relacionamento com os diferentes profissionais da assistência e condutas. Formação e condução de grupos de apoio. Postura e limites de atuação nos diferentes ambientes de parto – hospitalar, hospitalar SUS, domiciliar e casas de parto. Cobranças, contratos, divulgação, marketing e planejamento pessoal.

 

Investimento

Inscrições até 14 de Março

Opção A – à vista (10% de desconto)
Depósito em Conta Corrente
Valor: R$1080,00

Opção B – cheque pré-datado
Valor: R$1200,00
Inscrição: R$200,00 – por depósito em Conta Corrente (não reembolsável em caso de desistência)
Parcelas: 2 x R$500,00 (no início do curso e para 30 dias)

Opção C – PAGSEGURO
Valor: R$1320,00
Parcelável em até 18 vezes, pelo PAGSEGURO.
(juros por conta do comprador)

 

Inscrições APÓS 14 de Março

Opção A – à vista
Valor: R$1200,00

Opção B – cheque pré-datado
Valor: R$1320,00
Inscrição: R$320,00 (não reembolsável em caso de desistência)
Parcelas: 2 x R$500,00 (no início do curso e para 30 dias)

Opção C – PAGSEGURO
Valor: R$ R$1452,00
Parcelável em até 18 vezes, pelo PAGSEGURO.

Para garantir sua vaga:

1) Acesse o link: https://goo.gl/forms/Fh9fqZ59EWNpUgst1, preencha e envie a ficha de inscrição.
2) Aguarde recebimento do e.mail com orientações para o pagamento.
3) Efetue o pagamento e envie o comprovante da operação para: contato@clinicamatria.com.br
4) Verifique o recebimento do e.mail com a confirmação de sua inscrição.

Maternas, sejam bem vindas ao nosso curso!
Saibam que para seu conforto e melhor fluidez dos momentos de estudo, disponibilizaremos um espaço reservado em ambiente separado para seu bebê e um cuidador durante todo o período. Solicitamos apenas o informe dessa condição no ato de sua inscrição.

#matriemos

Porque a mamãe não vai comprar uma chupeta e uma mamadeira pra sua filhinha… ou Empoderamento para as meninas

Publicado em 07/08/2017 por Carol Rodrigues

Bárbara está com seis anos, no auge de sua meninice, não quer mais ser vista como bebê e começa a demonstrar os primeiros ímpetos de “mocinha”, querendo imitar as mulheres mais velhas…e a primeira referência, ou a mais próxima, está dentro de casa – sou eu!!!

Amamentando Bárbara no Teatro Nacional de Brasília, em 2011

Na semana passada, veio me pedir com todo jeitinho e retórica uma chupeta e uma mamadeira para sua filhinha, a “Lacinho Roxo”, sua boneca bebê. Não é a primeira investida, ela já havia pedido antes, principalmente depois de ter visto outra menina com aquelas bonecas newborn no colo.

Expliquei que a “Lacinho Roxo” não precisava de mamadeira para mamar, que ela iria preferir mamar no peito dela, pois não existia nada mais nutritivo do que o leite da própria mãe. Na mesma hora ela levantou a blusa, sentou no sofá e deu o peito. E ainda pediu silencio para a irmã, Isabela, que com quatro anos oscila entre o falar gritando e gritar falando. Simples assim. E ficou muito tempo com a “filha” no colo enquanto eu admirava a cena poética. Após a mamada, colocou a filha enrolada no charutinho dormindo no canto e foi pular corda com a irmã.

Bárbara amamentando na SMAM 2014, em Taubaté, Roda Do Ventre ao Peito

Daqui a pouco volta a me procurar, pedindo uma chupeta, porque a “filha” estava acordada, já havia mamado, mas não parava de chorar – e ela, a “mãe Bárbara” precisava preparar o almoço!
Outra vez expliquei que o peito era a melhor saída, que a chupeta não iria substituir o alimento, o carinho, o calor e o amor da mãe. Isso tudo ela entendeu, mas achou ruim ter que interromper o “preparo do almoço”, e voltou para a sua “filha”, dando o peito outra vez, até que a recém nascida dormisse novamente. Quando isso aconteceu, soltou um “UFAAAAAA, como cansa ser mãe”e voltou para outra brincadeira com a irmã.

 

Amamentando Isabela na roda de gestantes em 2014.

No final do dia, melada de tanta corda e toda prosa, veio me contar que naquele dia não iria poder tomar banho, porque precisava cuidar da “filha”e dar de mamar, caso ela acordasse. Achei graça, mas sugeri que se ela tomasse uma ducha bem rápida, sem lavar os cabelos, sem cantar no chuveiro, e sem desenhar nos azulejos ou na porta do box, talvez a “Lacinho Roxo” nem acordasse… Foi contrariada para o banho, mas aliviada que a irmã Isabela estaria de plantão ao lado de sua “sobrinha”.

Adormeceu com a “filha”ao seu lado, reproduzindo a cama compartilhada e me perguntou quantas vezes ela iria precisar acordar para amamentar durante a madrugada. Juro, pensei em omitir, mas depois de um dia tão importante como aquele, onde brincando ela teve contato com tantas verdades essenciais, fui muito sincera: quantas vezes ela precisar, meu amor. E agradeci por ela não ter me questionado em números por outra resposta, rsrsrss.

Na cama relembrando o dia, refleti todo o dia e a experiência que tivemos, reconhecendo que o exemplo é o melhor modelo para a construção desse tão sonhado empoderamento feminino.

Bárbara amamentando a “Lacinho Roxo” na SMAM 2015, em São José dos Campos.

 

Lembrei de diversos momentos em que amamentei as duas filhas, nas mais esdrúxulas situações e locais: no trabalho, no lazer, na rua ou em casa. Das inúmeras vezes em que levei as duas: para a roda de apoio a gestantes, chá de bênçãos, mamaços, palestras, eventos e cursos de preparação para o parto e pós parto – sem me dar conta que estava semeando uma poderosa semente de empoderamento nas minhas meninas. É por isso que para elas é natural eu explicar que a mamadeira não é a primeira alternativa ou que a chupeta pode prejudicar o desenvolvimento do bebê. E é por isso, Bárbara, que a mamãe não vai comprar nenhum dos dois pra sua filhinha.

 

Curso Preparação para o Parto – DO VENTRE AO PEITO

Publicado em 11/07/2016 por Carol Rodrigues

 

Divulgacao Curso Gestante sgo_16-01

Você está planejando um parto respeitoso no Vale do Paraíba?

Então venha se juntar à Do Ventre ao Peito para mais uma edição do Curso de Preparação para o Parto, dia 06 de agosto.

 

 

Informações e Inscrições pelo email:

doventreaopeito@yahoo.com.br

Um curso especial para quem busca informações atualizadas sobre trabalho de parto, como lidar com a dor, métodos de alívio não farmacológicos, posições e respiração, os aspectos emocionais do parto, fases do parto, intervenções e condutas médico hospitalares que podem ser feitas durante o trabalho de parto e com o recém nascido, plano de parto e muito mais!

Sejam bem vindos!

 

Proteja seu períneo!!!

Publicado em 06/07/2016 por Carol Rodrigues

perineo

 

Parto normal não significa parto sem intervenções. Para a grande maioria dos obstetras que ainda praticam os postulados da Obstetrícia do século passado, algumas intervenções são de rotina, entre elas a epsiotomia em
todas as mulheres.

(mais…)

EMPODERAMENTO MATERNO

Publicado em 28/06/2016 por Carol Rodrigues

Quando dizemos para uma gestante que o parto é dela e que é preciso se empoderar para parir, estamos levando em conta o engessamento da realidade obstétrica brasileira, da puericultura, das instituições hospitalares (públicas e privadas) e também a urgente necessidade de ressignificação do parto, do nascimento, do feminino, da fisiologia e da nossa capacidade de parir.

“Nós mulheres sabemos parir. Nós mulheres gostamos de parir.” Naoli Vinaver

Mas não basta querer o parto. Não aqui no Brasil. É preciso se informar, estudar, aprender, participar de grupos de apoio presenciais e virtuais para conseguir distinguir as equipes que trabalham dentro da Humanização, praticando Medicina Baseada em Evidências Científicas, numa relação mais horizontal com a gestante e os profissionais que ainda insistem nas práticas da obsoleta obstetrícia, centradas na figura do médico.

Seja bem vind@ ao AmorContinuum, aqui você sempre encontrará indicações de livros, filmes e vídeos, evidências científicas e links de referência com os autores mais atualizados na Assistência Humanizada ao Nascimento, no mundo todo.

Espero que este espaço ajude você a trilhar o seu processo de empoderamento para GESTAR com AMOR, PARIR com RESPEITO, AMAMENTAR com VÍNCULO e MATERNAR com CONSCIÊNCIA.